Eu não queria criar uma empresa de moda
Uma engenheira de software resolver organizar o próprio closet...o resto é história!
Raissa Correia
8 de junho de 2026
Se alguém tivesse me dito alguns anos atrás que eu passaria meus dias estudando moda, conversando com marcas e tentando construir uma empresa nesse mercado, eu ia dar uma risada daquelas altas que até destoam da conversa.
Minha formação é em Engenharia da Computação na Unicamp. Minha carreira pode ser resumida em construir sistemas, interfaces e produtos digitais. Moda era um universo muito distante, como qualquer um pode perceber observando o figurino médio dos programadores.
Eu também nunca gostei de fazer compras. Nunca fui a pessoa que acompanhava marcas específicas ou lançamentos. Meu critério normalmente era algo como: "nessa loja geralmente tem peças confortáveis".
Também nunca gostei muito de tendências. Na verdade, elas me tiravam do sério. Eu me apegava a uma peça, uma modelagem ou uma cor e, quando finalmente descobria algo de que gostava, o mercado já tinha decidido seguir para outra direção.
Por isso, quando comecei a investigar os problemas que descrevi nos textos anteriores, minha intenção não era entrar na indústria da moda. Eu só queria criar uma forma mais organizada de me vestir bem sem precisar gastar tanta energia mental com isso.
Então fiz o que sempre faço quando encontro um problema: fui estudar.
Talvez seja um vício profissional. Quando você trabalha construindo produtos, acaba desenvolvendo o hábito de observar processos e perguntar por que eles funcionam da forma que funcionam.
E encontrar roupas parecia muito mais complicado do que deveria ser. Existe uma complexidade enorme envolvida nisso que a maioria das pessoas simplesmente aceita que não vai pensar nisso e compra a mesma peça que todo mundo!
Eu não! Desperdício detectado! 😆
No início imaginei que fosse apenas uma frustração pessoal.
Depois comecei a perceber que outras pessoas tinham dificuldades parecidas: consumidores, marcas, criadores independentes...
Quanto mais eu observava, mais perguntas apareciam.
Por que descobrir marcas ainda depende tanto de feeds e influenciadores?
Por que encontrar algo alinhado ao seu gosto exige tanto esforço?
Por que existem tantas ferramentas para vender e tão poucas para ajudar as pessoas a explorar?
Foi nesse momento que deixei de enxergar aquilo apenas como uma experiência de consumo.
Passei a enxergar um problema de produto.
Foi assim que comecei a estudar moda, e por estudar eu digo sozinha em casa mesmo!
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